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O Silencioso Grito

Ando sempre de cabeça baixa,
Minha alma se curva na dor;
A culpa me prende e me enfaixa
Num cárcere frio e opressor:
Sou a pedra nos passos de Joseph...

Falta fé no que posso alcançar,
desalento na vida e no labor;
Perco a força de me dedicar
E me sobram angústia, cansaço e temor:
Sou a fratura no corpo de Giuseppe...

Já não digo o que a alma pedia,
As minhas falas se perdem no fundo;
Os gritos calam que em mim existia,
Num silêncio profundo e imundo:
Sou a língua cortada de Yosef...

Já não conto segredos a alguém,
Nem confio em quem queira escutar;
Meus amigos se afastam também,
Como folhas que o vento insiste em levar:
Sou o fantasma que assombra Josep...

Onde anda a vida que quis florescer?
Por que insisto em pensar no final?
Nem o tempo me ensina a viver,
E tudo soa tão pesado e tão fatal:
Sou a sina marcada em José...