A Libertação

Há fatos que desafiam a razão:
Homens da paz promovem destruição,
Guardas da lei ferem a população,
Políticos traem a própria nação!

Mas o que me causa a real incompreensão
É ver quem ataca o que vive a dependência como condição,
Tratando doença ou fraqueza como falta de caráter ou opção,
Ignorando que isso é quadro clínico, não perversão...

Causa revolta observar a incoerência,
Pois muitos dos que discursam já viveram de algum modo a dependência,
Seja ela qual for: química, afetiva ou simplesmente de carência,
E mascaram ressentimento com um discurso de falsa consciência.

Há alguns foram reféns de substância,
Outros foram reféns de vínculos de dominância,
E hoje, agora livres, mantêm, talvez inconsciente, a arrogância,
E tratam a dor alheia com desimportância...

E aprendi com Raul, nesse ciclo de repetição,
Um certo alguém, marcado pela incompreensão,
Que amar uma vez não garante redenção,
E pode deixar sequelas na percepção.

Reformulo a ideia dele, sem distorção:
Quem amou profundo um dia a si na mesma proporção,
Não volta a para si mesmo com a mesma aceitação,
E a experiência do amor próprio altera a própria visão.

Talvez, por isso, exista a desistência,
Quando se rompe a própria consciência,
Que quando o indivíduo perde de si a própria referência
E finda a desistir de sua própria existência.

E é nisso
Que se baseia a própria crença
De que esta é a verdadeira
LIBERTAÇÃO!