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Só um desabafo com a imensidão do mar...

Depois de todas as dificuldades que andei enfrentando nestes últimos dias, estou sentindo a necessidade de me reinventar, de me fazer novo, mais uma vez. Tirei boas notas nas principais matérias da faculdade, depois de muita disciplina e interesse no curso. Mas, depois de ter eliminado as principais matérias do curso (faltando apenas dois professores para me considerar livre do período), estou sentindo falta daqueles desafios dentro de sala de aula. Passei por pequenas depressões, dificuldades com o meu núcleo familiar, mas segui firme nos meus objetivos principais. Aprendi coisas novas no decorrer deste tempo. Mas, para mim, infelizmente, isso não me satisfaz. Senti muito ódio, rancor, falsidade e outros malefícios psicológicos e/ou espirituais da parte de algumas pessoas, principalmente por parte de alguns membros de minha família. Depois disso, minha rotina mudou - e muito.

Não consegui mais me concentrar nos estudos pela madrugada, ando meio desanimado com isso. Tanto, que já fazem duas semanas que não pego em um único texto pra estudar. Na minha mente, fica aquele "laço de repetição" de tudo que ainda está acontecendo aqui em casa. Ninguém nela fala comigo (a indiferença é um perigo!). Mesmo depois de ter feito um tratamento para a dependência química que durou 4 anos, sem apoio e acompanhamento dos membros da família, sinto que está incompleto, justamente pelo fato deles não terem participado. É muito importante que a família faça o tratamento junto, frequentando não só as reuniões que diziam respeito ao andamento do meu tratamento, mas tratá-los também, com auxílio de psicólogos.

Muitos podem dizer que esses problemas acontecem desde que começou o meu problema com o uso abusivo de psicoativos, mais precisamente, a cocaína na forma de pasta. Mas isso não é verdade. Vem de muito tempo, pois, desde antes disso tudo acontecer, já existiam problemas. Hoje, muitos dizem que jogo culpa neles - mas isso também não é verdade. A verdade é que os que dizem isso, são as mesmas pessoas que nunca acompanharam a evolução do meu tratamento - consequentemente, não fizeram o seu também, pois a dependência química afeta não só o usuário, mas a família, também. Depois de 4 anos, tenho a certeza que é percebida por pessoas que me conheceram no decorrer deste tempo de tratamento, que não sou mais a mesma pessoa. Acredito que, dizer que boto a culpa nos outros, é, também, uma maneira de eximir a sua própria culpa de não querer saber o que aconteceu consigo ou o que se passa comigo (e nem consigo próprio). Se eles entendessem ao menos a influência que as pessoas sofrem do externo e todos os pontos a considerar, como falta de informação, vontade, meio, problemas familiares entre outros problemas (que não são poucos e são aprendidos frequentando psicólogos), poderiam falar sobre a responsabilidade e culpa. Este escudo deles está difícil de furar com as flechas da razão. O que custa frequentar um psicólogo? Ainda tem gente que diz que quero me fazer de coitado. Coitado são os que fogem da verdade analisada por outros, desde que estes "outros" sejam profissionais, graduados, especialistas, mestres ou mesmo doutores. Tem que ter muita coragem para isso - talvez isso seja um dos fatores da tão baixa a taxa de gente que consegue se manter sóbrio. Porque que não é só vontade, mas sentimento, também.

Me lembro que, numa dessas de frequentar reuniões e psicólogos, minha mãe mandou me tirar da primeira clínica de recuperação que me internaram (porque não foi eu quem quis ir, mas me foi imposto), a psicóloga falou que não era para eu estar lá, pois era o início de minha adicção e que podia se usar outras ferramentas para isso. Depois da psicóloga ter tentado fazer a introspecção do problema, ela "meteu o pé no freio" e fugiu do próprio tratamento - além de ter mandado me tirar de lá de dentro, sem me perguntar nada (aliás, nunca me perguntaram nada sobre alguma coisas. Qualquer coisa). Mexeu na "ferida braba" dos problemas familiares, como diz o povo.

Ainda existe a intolerância religiosa, que enxergo as vezes como "atos hipócritas com os ensinos de Deus".  Mas, prefiro pensar (e tento muito afirmar como verdade na minha consciência), que é porque eles ainda não aprenderam que ser cristão, na verdade, não é ir pra igreja, pagar penitência, rezar e ler a bíblia, mas ser bom com as pessoas e consigo mesmo, consequentemente. É perdoar a tentar novamente. Não é ser simplesmente complacência, mas ser persistência. Bebo Ayahuaska, uma ferramenta de Deus que faz com que a pessoa consiga enxergar-se de uma forma diferente. Falam que é droga. Particularmente, não a considero, pois, desde quando conheci este chá, minha vida tem mudado - e muito. E para melhor. E eles ainda "ficam muito putos" quando um evangélico fala mal da doutrina deles - mas eles mesmos perdem muito tempo falando mal dos outros e suas crenças também. Podem-se usar muitas palavras para definir essas atitudes, mas não vou me ater a isso.

Enfim, solitário no meu quarto, tento me livrar destes "laços de repetição" que atordoam minha psiquê. Estou começando a acreditar que não existe cura para eles, porque não existe a vontade de curar-se ou, no mínimo, informar-se sobre essa problemática posta acima.

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